Tristeza é marca da passagem de Mário pelo Rio de Janeiro
Escritor viveu na cidade entre 1938 e 1941, mas se irritava com cariocas, dizem biógrafos
“Em vez de calorão, mil calorões. Em vez de pasmaceira, mil pasmaceiras. Em vez de milhão e meio de cariocas, dez milhões deles!” Assim Mário de Andrade descrevia o seu “inferno” – a temporada dele no Rio -, em carta endereçada ao amigo Paulo Duarte. O período em que viveu na cidade (1938-1941) é um dos menos conhecidos da vida do modernista Mário de Andrade, homenageado na Flip deste ano. E talvez o próprio quisesse esquecê-lo. A irritação com a informalidade dos cariocas e o calor não foram os únicos problemas. Segundo seus biógrafos, a estadia no Rio foi marcada por uma grande depressão. O motivo principal: o desmonte pelo Estado Novo, em 1938, do Departamento de Cultura de São Paulo, que Mário chefiou por três anos. “[Ele se exilou] como um Napoleão que vencera muitas batalhas e foi finalmente derrotado”, diz Jason Tércio, que está finalizando a biografia As vidas de Mário de Andrade.
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