Como o Rio, Paris assiste à derrocada de suas livrarias
Jean-Paul Sartre, François Truffaut, Pablo Picasso e outros, estão entre os antigos frequentadores da tradicional La Hune, em Saint-Germain, a mais recente a fechar as portas
Entre o Rio de Janeiro e Paris, as similitudes podem ser encontradas onde menos se espera. A capital francesa também tem a sua Livraria Leonardo da Vinci, que, após mais de seis décadas de serviços literários prestados aos cariocas, fechará as portas ainda este ano. No mítico bairro francês de Saint-Germain-des-Près, a La Hune, símbolo livresco da cidade, acaba de se despedir definitivamente dos parisienses aos 71 anos de vida. Criada em maio de 1944 por Bernard Gheerbrant (1918-2010), conhecido apreciador de literatura e de arte, a livraria, depois de cinco anos situada na Rua Monsieur-Le-Prince, instalou-se no pós-guerra no endereço que fez sua fama: no número 170 do Bulevar Saint Germain, no coração do chamado “triângulo mágico” formado pelos cafés Deux Magots e Flore e a Brasserie Lipp. La Hune se tornou uma das referências da vida artística e literária do bairro, de sua efervescência intelectual e da boemia dos clubes de jazz. Em seu livro de ouro de clientes frequentes, figuram nomes como Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Pablo Picasso, Marguerite Duras, Boris Vian, Jacques Prévert, François Truffaut, Jean-Luc Godard, Coco Chanel, Roland Barthes, François Mitterrand, Albert Camus, Merleau-Ponty, Henri Michaux, Max Ernst ou Alberto Giacometti — só para citar alguns.
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