‘Que Fim Levou Juliana Klein?’ atesta vitalidade da literatura feita fora dos centros
‘O jovem autor de Maringá (PR) tem uma escrita primorosa e uma construção narrativa de grande habilidade”, diz crítica da Folha sobre Marcos Peres
Que fim levou Juliana Klein? (Record, 352 pp, R$ 40), de Marcos Peres, é um romance policial que tem como protagonista Irineu, um delegado que apura uma série de crimes ocorridos em 2005, 2008 e 2011 em Curitiba. Os capítulos se alternam com os respectivos anos em que se passam. Como acontece nos romances policiais, o foco reside no detetive que investiga e, ao final, o autor tira da cartola um criminoso insuspeito, o que pode parecer inverossímil. Entretanto, isso não importa, o prazer reside na curiosidade que leva o leitor a querer descobrir as causas do crime. Aqui não é muito diferente, apesar de as motivações serem complexas demais para o intelecto do delegado: o princípio do eterno retorno de Nietzsche. Peres tece seus romances a partir de uma intrincada rede de leituras e teorias. Seu primeiro livro, O Evangelho segundo Hitler, cujo personagem era o escritor argentino Jorge Luis Borges, tinha também uma trama complexa, quiçá um pouco estapafúrdia. Mas há de se reconhecer que o jovem autor de Maringá (PR) tem uma escrita primorosa e uma construção narrativa de grande habilidade.
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