Em ‘As rãs’, o escritor Mo Yan devassa sete décadas da história chinesa
Autor aborda o passado traumático em tom bem-humorado, sem aliviar o choque
O escritor chinês Mo Yan (em português, Não fale; pseudônimo de Guan Moye) recebeu muitas críticas quando,
em 2012, recebeu o Nobel de Literatura. O poeta Ye Du comparou seu conterrâneo
a uma meretriz. Salman Rushdie chamou-o de fantoche do governo chinês, pois não
assinara uma petição pela soltura do crítico literário Liu Xiaobo, condenado à
prisão como signatário da Carta 08 (manifesto pela democratização da China) e
agraciado com o Nobel da Paz em 2010 (que não foi receber por estar na cadeia).
Assim, é ótimo que seja lançado no Brasil um romance como
As rãs (Companhia das Letras, 496 pp, R$
52,90 – Trad.: Amilton Reis), cuja estupenda carpintaria narrativa justifica a
premiação do autor e mostra que ele não é uma mera marionete do Partidão.
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