Antes que a memória vá embora
Aos 61 anos, Elvis Costello conta sua história para seus filhos gêmeos
Na epígrafe
de seu recém-lançado livro de memórias
Unfaithful
Music & Disappearing Ink
(Blue Rider Press, US$ 30), Elvis Costello
cita um trecho de sua canção “All the Rage”: “Não tente alcançar
meu coração/ É mais sombrio do que você pensa/ E não tente ler minha memória/
Porque está cheia de tinta se apagando”. O tom severo talvez se refira ao
passado instável de Costello, de 61 anos; o sumiço da memória, um presságio: a
avó e o pai tiveram Alzheimer. Costello disse numa entrevista que escreveu
essas recordações para que, um dia, seus filhos gêmeos de 8 anos não leiam
sobre ele em livros de “gente rancorosa”. Na memória se ressaltam a
inteligência afiada, a perspicácia e os trocadilhos espirituosos
característicos de suas letras. Num estilo leve, entre alegre, triste e
honesto, ele disserta sobre música pop, rock, punk, country, jazz, e como o
influenciaram. Conta que se sentiu humilde ao tocar com Paul McCartney e Bob
Dylan, ídolos de infância; ao participar do Quarteto Brodsky (clássico); e
deslumbrado ao conhecer Bruce Springsteen.
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