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Em ‘O Regresso’, Lúcia Bettencourt recria os últimos momentos da vida de Rimbaud

03 de novembro de 2015
1 min de leitura

História relata trajetória do poeta após voltar de viagem misteriosa à África

O romance
de Lúcia Bettencourt,
O regresso (Rocco, 192 pp.;R$ 29,50; R$ 19 o e-book),
centrado no retorno de Rimbaud à França depois da linha de fuga traçada para
fora do domínio eurocêntrico (rumo à Arábia e à África) em culminação com sua
recusa da escrita poética, não fica sem revisitar os entrechos mais pulsantes
da obra-vida (como bem definiu Alain Borer, o percurso do autor entre
literatura e caminhada, livro e experiência). Curioso se revela acompanhar o
modo como a narrativa se constrói a partir de fragmentos da biografia do autor,
sempre passível de especulação (em todos os sentidos que encerra, na pulsação
daquele que propunha o desregramento de todos os sentidos como programa da
criação moderna de poesia). Montada em um jogo nada linear de associações entre
diferentes dimensões de tempo e dos lugares cruzados pelo escritor de
Iluminações, a versão romanesca dos últimos dias de Rimbaud apresenta um lastro
de pesquisa consistente. Visível se mostra, ao mesmo tempo, a capacidade da
escritora intercalar o dado documental com a pauta lírica tomada no espaço
narrativo.

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