34 refuta censura no caso do livro de Antonio Risério
Record diz que ‘ofereceu abrigo’ ao livro e publicará o título que faz crítica ‘implícita’ à presidente Dilma
Na última quarta-feira (30), o escritor Antonio Risério botou a boca no trombone e falou em censura da Editora 34 ao seu título Que você é esse?, previamente
programado para ser lançado em junho. Na ocasião, a editora preferiu não se
manifestar “por entender que a relação entre autor e editora é pessoal e
privada, não concordando em tornar público o diálogo entre as partes durante o
processo editorial”.
Frente à celeuma que o assunto causou, a editora resolveu
comentar o caso. Em nota enviada à redação do PublishNews, a 34 disse se
orgulhar da participação de Risério em seu catálogo, mas refuta que a decisão
de não publicar
Que você é esse? seja
censura.
Para justificar a decisão, a editora fala em “problemas de ordem
literária” como “falta de tensão na voz narrativa” e “digressões excessivas por
parte do narrador”. A editora fala ainda que “certas passagens do livro soavam
mais como um desabafo pessoal do que uma construção literária de peso”.
Na
própria quarta-feira, o editor Carlos Andreazza, do Grupo Editorial Record, defendeu
o autor e disse que ofereceu abrigo editorial ao autor e que o livro “sairá
pela Record, onde não há tempo ruim, a casa da pluraridade”, disse em sua
página no
Facebook.
Veja abaixo a íntegra da nota da Editora 34
“A Editora 34 é apartidária e contra qualquer forma de censura. Entendemos que a relação entre autor e editora é pessoal e privada, e por isso não costumamos divulgar, em respeito aos autores que nos procuram, os motivos de recusa de um original. Foi o que nos levou a não nos manifestarmos na nota publicada na coluna de Mônica Bergamo do dia 30/3. Diante da controvérsia gerada, nos vemos na obrigação de esclarecer alguns fatos.
A Editora 34 já publicou três livros de ensaios de Antonio Risério — A utopia brasileira e os movimentos negros (2007), A cidade no Brasil (2012) e Mulher, casa e cidade (2015) —, dos quais muito se orgulha. Acolheu o original do romance “Que você é esse?”, do mesmo autor, e iniciou seu processo editorial de análise, tendo constatado, nessa fase, problemas de ordem literária, tais como: falta de tensão na voz narrativa, digressões excessivas por parte do narrador, mistura (literariamente contraproducente) das vozes do narrador e dos personagens, bem como dos personagens entre si. Foi endereçada a Risério, dois dias antes de um encontro entre autor e editor em que seriam discutidos justamente esses aspectos, uma carta que continha sugestões nesse sentido para serem aprofundadas. Essa primeira parte da carta não foi transcrita na coluna.
Ciente de que Risério trabalhou por muitos anos como assessor de marketing político em campanhas eleitorais e de que certas passagens do livro soavam mais como um desabafo pessoal do que uma construção literária de peso, a Editora 34 também manifestou, na correspondência, seu desconforto com a possível instrumentalização dessas passagens. Foi apenas um trecho desta segunda parte da carta que a Folha transcreveu na edição de hoje.
Por isso nos parece totalmente descabido e fora de contexto o termo “censura” utilizado na nota. Trata-se muito simplesmente do direito de uma editora de declinar de um original que considera insatisfatório, mesmo quando admira seu autor por outras obras e outros motivos, como é o caso de Risério. ”
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