Livros de quadrinhos mostram as faces sujas do conflito peruano e da Guerra da Bósnia
HQs sobre o Sendero Luminoso e sobre o cerco a Sarajevo tentam entender o que se passou na América Latina e na Europa no fim do século 20
Quadrinhos
são usados com regularidade para retratar eventos reais pelo menos desde o
século 19 – agora, no Brasil, chegam às bancas dois livros distintos entre si,
mas que contam por meio da HQ a história real de dois conflitos sangrentos do
fim do século 20. Sendero Luminoso (Veneta), dos peruanos Jesús Cossio, Alfredo Villar e Luis
Rossell, e Fax de Sarajevo (Via
Leitura), do norte-americano Joe Kubert (1926-2012). O Sendero Luminoso é um grupo maoísta que
figura na lista de terroristas do governo do Peru, dos EUA, da União Europeia e
do Canadá e matou 31 mil pessoas em 12 anos de atividades (1980-1992), de
acordo com a Comissão da Verdade do país andino. Fez isso enfrentando uma série
de governos corruptos e classistas e forças armadas brutais e criminosas. No
meio dos tiros, o povo campesino do interior do país, principal vítima da
guerra. O livro traz à tona uma série de episódios do conflito, iniciado em
maio de 1980, que deixam clara a aspiração completamente violenta que tomou
conta de todos os “lados” da guerra, mais uma da história sangrenta da América
Latina na segunda metade do século 20. A violência absolutamente desmedida
também foi característica da Guerra da Bósnia (1992-1995), que matou cerca de
100 mil pessoas segundo as estimativas mais recentes, e desalojou mais de 2
milhões. O cerco à capital do país, Sarajevo, é o foco de Fax de Sarajevo, o álbum do norte-americano Joe Kubert, que em
50 anos de carreira na DC criou as imagens mais conhecidas de personagens como
Sargento Rock,
Gavião Negro e Tarzan.
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