O museu dos mortos
Estação Liberdade lança livro de suspense da autora japonesa Yoko Ogawa
Os museus têm como
pressuposto guardar objetos de valor histórico ou científico para fins de
exibição pública, de modo a registrar à posteridade a importância que eles
tiveram para a humanidade num período determinado. Mas como seria no caso de um
museu que tivesse como objetivo preservar lembranças de pessoas que morreram?
Essa é a essência da trama proposta pela japonesa Yoko Ogawa em
O museu do silêncio (Estação Liberdade,
304 pp, R$ 49 – Trad.: Rita Kohl). O sonho de dar cabo ao Museu do
Silêncio é de uma velha que vive com a jovem filha e um casal de empregados. Um
museólogo – narrador da história – é contratado por ela para tirar o projeto do
papel. De personalidade hostil e sem o menor traquejo social, a velha tem lá
suas idiossincrasias, sobretudo em relação ao tipo de conteúdo que planeja para
o museu: as lembranças dos mortos precisam ser representativas do que eles
foram em vida. Uma peça de roupa, uma fotografia sorridente – nada disso. Não
se trata de preservar lembranças afetivas. Cada objeto do museu precisa ser a
metáfora perfeita da existência do finado. E o museólogo – nenhum dos personagens do livro é nomeado –
tem que se virar para recolher esse tipo de “relíquia” dos corpos moribundos.
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