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Luiz Vilela em um diálogo bem-humorado e cheio de nuances

12 de dezembro de 2016
2 min de leitura

Novela ‘O filho de Machado de Assis’ traz a história do professor Simão e seu aluno Mac

O mineiro Luiz Vilela é uma das raras unanimidades na literatura brasileira: agrada tanto aos eruditos como ao grande público, aquele que muitas vezes busca na literatura um entretenimento, algo que o faça esquecer por algum tempo a monotonia do cotidiano. Ele consegue tal façanha graças a uma preciosa junção de escrever bem, produzindo textos fluidos e diálogos primorosos, com um mergulho na condição humana em suas múltiplas facetas. Desde o seu livro de estreia, Tremor de Terra, publicado aos 24 anos, Vilela não parou mais de escrever e foi aos poucos apurando sua maneira peculiar de observar e transmitir suas impressões sobre o mundo. A novela O filho de Machado de Assis é um diálogo bem-humorado e cheio de nuances entre o velho professor Simão e seu ex-aluno Mac. O professor afirma, com certeza categórica, mas sem revelar suas fontes, que Machado, que não deixou descendentes conhecidos, teve um filho. E chega a fantasiar que encontrou por acaso um motorista de táxi parecidíssimo com o escritor e que seria um de seus bisnetos ou tataranetos. Na realidade, o filho do escritor funciona nesta novela principalmente como um pretexto para discutir temas como a força da palavra, as muitas faces daquilo que é estabelecido como verdadeiro, a idolatria aos autores consagrados e também as fantasias que se escondem dentro da cabeça de cada um de nós, como um trem de ferro que acelera continuamente e não nos deixa em paz. Os mais rigorosos poderão dizer O filho de Machado de Assis não acrescenta muito à obra consolidada de Luiz Vilela. E quem espera achar nesta novela profundas reflexões sobre a vida e os relacionamentos humanos talvez se decepcione. Mas é possível encontrar e apreciar nela uma linguagem bem cuidada e precisa e momentos inspirados de humor e sarcasmo, como a afirmação de que a cultura não confere caráter a ninguém, assim como a batina e o hábito não significam necessariamente santidade.

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Talita Facchini

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