Hábito de fazer listas é radiografado em livro que traz inusitadas compilações de Darwin a Cobain
‘Listas extraordinárias’ traz 125 compilações de personalidades de várias épocas
Em agosto de 1831, Charles Darwin tinha 22 anos, acabava de se formar em Cambridge e seu destino era tornar-se um clérigo, quando o interesse crescente pelo naturalismo o levou a ser convidado por cientistas para uma aventura que mudaria sua vida: uma expedição à América do Sul para estudar a vida selvagem no continente. Quando soube da viagem, seu pai escreveu uma dura lista de objeções à empreitada: que “seria uma vergonha para sua futura condição de padre”, que Darwin nunca mais “conseguiria levar uma vida estável depois desta estripulia”, que era um projeto “totalmente descabido”, “que as acomodações seriam desconfortáveis”. Praguejou ainda dizendo que “seria tudo totalmente inútil”. O jovem naturalista ignorou as turras paternas, embarcou confiante e na volta escreveu A origem das espécies, revolucionando toda a ciência. Essa é uma das 125 “listas extraordinárias” encontradas pelo pesquisador inglês Shaun Usher nos muitos arquivos vasculhados por ele quando reunia material para o livro Cartas extraordinárias, lançado pela Companhia das Letras no ano passado no Brasil, com cartas curiosas de personalidades ilustres da História. Enquanto fazia a pesquisa para um livro, Usher identificou que havia outro à espreita, e assim nasceu Listas extraordinárias, que acaba de chegar às livrarias brasileiras pela mesma editora. É uma deliciosa compilação de listas variadas de políticos, músicos, escritores, anônimos, mostrando que a paixão por esse tipo de reunião de itens não é uma mania surgida recentemente. Desde sempre o homem fez listas, acredita Usher, “para ter a certeza de que as coisas estão sendo constantemente organizadas, classificadas, priorizadas e atualizadas”, escreve ele na abertura do livro.
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