Em ‘A palavra algo’, Luci Collin usa sua poesia do caos e desassossego
Livro ágil, variado e humorado, obra mostra poemas que vão da metalinguagem a citações e à mera cópia de frases banais
Afirma Roland Barthes: “Quando eu leio, acomodo: não só o
cristalino dos meus olhos, mas também o de meu intelecto, para captar o bom
nível de significação (aquele que me convém)”. Barthes conclui que “é somente
ao olhar o infinito que o olho normal não tem necessidade de acomodar-se”.
Poderíamos comparar esse olho que contempla o infinito com o olho do poeta, que
não se submete à acomodação. O olho do poeta seria como aquele descrito em A palavra algo (Iluminuras), o mais
recente livro de poesia de Luci Collin, ou seja, o olho que “imagina entre
migalha e galáxia” e que chega ao “deslumbramento daquele que inaugura
adornos”. A poesia de Luci, como se lê em seu último livro, “é metal precioso é
metal nobre agarrado aos detalhes e ao insubmisso”. Portanto, com sua palavra
metal, ela vai rasgando os guarda-sóis que nos protegem do caos e com seus
versos “comete danças estapafúrdias” e assim “inaugura a temporada do pasmo”. A palavra algo é um livro ágil, variado e humorado. Revela uma poeta em busca do
caos, mas, ao mesmo tempo, temerosa do caos; por isso se mantém fiel a formas e
técnicas, pois, como diz D. H. Lawrence, “o desejo do caos é a respiração de
sua poesia. O medo do caos está no desfile de formas e técnicas”.
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