Quebrando tabus
Livro conta a história de Keiko e aborda temas como relação de gênero e de trabalho, pressões sociais e cria um retrato realista e absurdo da vida contemporânea
Em Querida konbini (Estação Liberdade, 152 pp, R$ 39 – Trad.: Rita Kohl) premiado best-seller internacional, Sayaka Murata cria, no interior de uma konbini — uma das onipresentes lojas de conveniência japonesas —, um espelho da sociedade contemporânea, questionando os moldes em que temos de nos encaixar para poder fazer parte dela. A protagonista e narradora é Keiko Furukura. Aos 36 anos, Keiko nunca se envolveu romanticamente e, desde os 18, trabalha numa konbini — todos insistem que ela arranje um trabalho sério ou, pior ainda, um marido. Keiko, no entanto, está satisfeita consigo mesma. Deslocada desde a infância, é na loja, com regras estritas para os funcionários e dinâmica precisa de funcionamento, que ela consegue pela primeira vez se sentir uma peça no mecanismo do mundo. Pelo olhar único de sua protagonista, Sayaka Murata cria um retrato realista e absurdo da vida contemporânea, satirizando nossas obsessões e abordando temas essenciais: normalidade e estranheza, relações de trabalho e de gênero, e a forma como as pessoas (em particular as mulheres) são pressionadas para atender às expectativas alheias.
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