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Vidas que importam

04 de janeiro de 2019
1 min de leitura

‘As estrelas sob nossos pés’ dá voz a personagens pouco retratados na ficção – jovens pobres, expostos à desigualdade, ao preconceito e à violência

Há um abismo na alma de Lolly Rachpaul. Aos 12 anos, raiva e tristeza são tudo o que o garoto consegue sentir. Costumava ser diferente antes, quando Jermaine ainda estava por aqui. Mas, desde aquele tiro que silenciou a vida de seu irmão mais velho, Lolly deixou de ser uma criança alegre. Aliás, no Harlem – um bairro típico de negros e latinos em Nova York – a infância passa tão acelerada quanto uma bala. Se não estiver atento o bastante, as ruas e suas gangues te engolem. Vivenciando o luto em tempos de ódio, como preencher as partes que ficaram faltando dentro de si? Para Lolly, a resposta pode estar em Harmonee – a cidade imaginária que está construindo com as peças de Lego que ganhou de presente da namorada de sua mãe. A arte do garoto será sua forma de resistência à crueza do mundo, e uma ponte que sustenta novas e antigas amizades. As estrelas sob nossos pés (Plataforma 21, 318 pp, R$ 46,90 – Trad.: Stephanie Borges), livro de David Barclay Moore, dá voz à personagens que são pouco retratos, e que tanto precisamos ouvir: jovens pobres, expostos à desigualdade, ao preconceito e à violência desde muito cedo.

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Talita Facchini

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