O experimental e o ‘antiliterário’ de Clarice Lispector
‘Água viva’ dá continuidade ao projeto da Rocco de realizar edições especiais reproduzindo os manuscritos e datiloscritos originais da autora
Considerado o livro mais misterioso e autobiográfico de Clarice, Água viva (Rocco, 224 pp, R$ 64,90) saiu do prelo em 1973. Mas somente na década de 1980, após a morte da autora, veio a público o fato de a obra ter sido intitulada, originalmente, Objeto gritante. A descoberta se deu graças à tarefa de pesquisadores mergulhados no Arquivo Clarice Lispector da Fundação Casa de Rui Barbosa, que guarda manuscritos, datiloscritos, documentos diversos e fotografias da escritora. Com este pequeno grande livro, Clarice Lispector conseguiu a façanha de descobrir um jeito transformador de escrever sobre si mesma. Um triunfo tão desconcertante que despertou assombro semelhante ao que a jovem autora provocara com sua estreia na ficção, o romance Perto do coração selvagem, de 1943. Um livro refundador da literatura e da própria Clarice, apontam alguns estudiosos da obra da autora. Organizado e prefaciado pelo crítico e pesquisador Pedro Karp Vasquez e com concepção visual e projeto gráfico de Izabel Barreto, este volume apresenta, além da íntegra dos datiloscritos de Objeto gritante, um caderno de ensaios.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
