Feche a porta!
Na coluna de Luciana Pinsky, sua segunda crônica com o tema ‘portas’
Brrr…. De novo?
A porta. Feche a porta, por favor. Mas é inútil, não me ouve, nem adianta reclamar. A porta que eu cuidadosamente encostei está de novo aberta trazendo de fora ar gelado que casaco nenhum barra. Não entendo isso: será que não a vê encostada? Custa muito deixá-la tal como encontrou?
Aparentemente sim. Por que ninguém passa impunemente, sem deixar atrás de si uma brisa que me ameaça? O mesmo vento que afasta poluição pode ser tufão com potencial de perda total. Sou pura pele e, leve, não posso com vento.
Nunca pude. Sempre me ressenti de não saber cair. Equilibrava-me com determinação, mas ventou, arrisquei-me e caí feio, difícil, hospital, ortopedista, cama. Músculos atrofiados, a pouca força me abandonara; sem equilíbrio eu cambaleava. Bêbada, experimentei tanto até que, cansada, voltei à prudência, fechei portas a me gelar, encontrei o meu quentinho.
E cá estou eu tentando manter o ambiente agradável, não concordo nem compactuo com quem insiste em abrir portas e deixá-las escancaradas.
Chega deste entra e sai inconsequente. Feche a porta. Fechem todas elas. Preciso dormir aquecida.
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