Um universo sombrio
Em sua nova obra, Mariana Enriquez constrói em novo livro um universo envolvendo fanatismo, estrelas do rock e seres mitológicos
Lendas do rock nunca fenecem. Mas o que um artista precisa fazer para se tornar inesquecível? Nenhuma grande composição alcança o estrelato sem que alguém primeiro a reconheça como algo notável. Nenhuma banda fica famosa sem uma legião de fãs por trás. A argentina Mariana Enriquez, já conhecida por sua habilidade em mesclar fantasia e aspectos de realidade, cria uma mitologia própria para explicar o nascimento dos rockstars. Em Este é o mar (Intrínseca, 176 pp, R$ 29,90 – Trad.: Elisa Menezes), tornar-se lendário envolve entregar a vida às Luminosas, seres atemporais que se alimentam da devoção incondicional que as fãs dedicam a seus ídolos. Enriquez constrói um universo intenso e sombrio, marcado pelo temor do esquecimento e pelas lembranças que atravessam gerações. No livro, Helena é uma das responsáveis por manter a engrenagem do fanatismo a todo vapor, incitando os jovens fãs humanos a darem tudo de si e a consumirem seu ídolo. No entanto, não quer ser apenas uma abelha operária. Para se tornar uma Luminosa, precisa criar uma nova Lenda. Agora, tendo a morte como aliada, sua missão é eternizar James Evans, o vocalista da banda Fallen — uma árdua tarefa em meio à era da fugacidade dos desejos. Este é o mar é um retrato visceral da adolescência e da nossa sociedade, que reafirma Mariana Enriquez como uma das vozes mais potentes da literatura argentina contemporânea.
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