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A caçula dos Machado

02 de julho de 2020
3 min de leitura
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Rafaella Machado é a convidada do PublishNews Entrevista desta semana. Na conversa, a herdeira do Grupo Editorial Record se define como progressista e defende a bibliodiversidade.

Jornalista, designer, editora e uma das herdeiras do Grupo Editorial Record, Rafaella Machado é a convidada da semana do PublishNews Entrevista, programa da PublishNewsTV que quer montar um arquivo da memória editorial brasileira.

Em sua conversa com André Argolo, Rafaella contou que, desde pequena, sempre quis trabalhar na Record. Começou na editora como estagiária, há 10 anos, passou pelo departamento de marketing e pelo editorial. Neste tempo, se firmou à frente do selo Galera, voltado para o público jovem e onde encontrou o seu lugar no mercado. “Eu me apaixonei por livros jovens adultos desde que eu era uma jovem adulta. Ali é um lugar que eu acho que é muito importante para eu estar”, explicou. “Não só por ser um lugar estratégico para o mercado, mas também acredito que é estratégico para a sociedade, é um cargo de muita responsabilidade você pautar os valores e as histórias que vão crescer com essa próxima geração”, disse.

As ideias e legados que seu pai — Sergio Machado — e avô — Alfredo Machado — deixaram são o que guiam Rafaella até hoje em sua missão de levar a editora para frente. “Faz parte dessa responsabilidade lidar com ela de uma maneira que me inspire”, contou. Aos 20 anos, Alfredo criou a editora tendo como missão “fazer do livro um produto de massa”. Anos mais tarde, Sergio Machado, conseguiu transformar o Grupo Editorial Record no maior conglomerado editorial brasileiro com capital 100% nacional. “A Record já foi a escola que formou grandes nomes do mercado editorial”, lembrou.

Para continuar esse legado, Rafaella acredita que a visão que as pessoas têm dos livros ainda deve mudar. “O mercado editorial é, por natureza, elitista, porque nem todo mundo se sente próximo do livro. Eu concordo com meu avô. Concordo que esse é o maior obstáculo para você tratar o livro como um produto que tem que estar na casa de todo mundo como uma havaiana”, explica. Outro ponto importante, na visão de Rafaella, é a proximidade com os leitores, trabalho que a editora vem fazendo já há algum tempo e que tem trazido resultado. “[os leitores] me motivam todos os dias, eles são os meus chefes”.

A bibliodiversidade da editora também foi assunto da conversa. Sem medo de se posicionar politicamente, Rafaella – que se considera uma pessoa de esquerda, com ideias progressistas – falou sobre o desafio de se publicar diversos tipos de livros e sobre o objetivo da editora. “É desafiador estar num grupo como a Record, porque a gente publica de tudo e, pra gente, o que realmente importa é promover o debate. Acho que você não pode se propor bibliodiverso, como a gente, se você não tem realmente essa diversidade”, explicou. “Um dos grandes méritos da Record é que, não importa sua orientação política, não importa o seu gênero literário favorito, sempre tem um livro da Record pra você”.

A conversa passou ainda pelas estratégias da editora, os projetos de marketing, a aproximação com o público e a internacionalização dos autores nacionais da casa.

O PublishNews Entrevista é um oferecimento do #coisadelivreiro, consultoria em marketing e inteligência de negócios para o mercado editorial.

Além de estar disponível no canal do PublishNews no YouTube, este episódio está disponível em áudio também pelas plataformas digitais: Spotify, iTunes, Google Podcasts e Overcast.

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