‘Diário da catástrofe brasileira’
Ricardo Lísias traz uma análise sobre o último ano do Brasil a partir do momento da eleição presidencial
Ainda na noite de 28 de outubro de 2018 — quando 57 milhões, 796 mil e 986 brasileiros depositaram na urna o voto em um candidato que havia feito declarações racistas, machistas e homofóbicas e elogiado abertamente torturadores e a ditadura militar —, o escritor Ricardo Lísias começou este Diário da catástrofe brasileira (Record, 352 pp, R$ 62,90), que, obsessivamente, não largou até hoje. No livro ele registra que, pouco mais de um ano depois, a polícia tornou-se ainda mais violenta, casos de censura voltaram às artes, o Brasil virou motivo de piada no mundo, o desmatamento atingiu índices mais do que alarmantes, centenas de agrotóxicos foram liberados para uso, a população é estimulada a não acreditar em dados científicos, a agressão à imprensa por parte do governo é corriqueira e a economia, vejam só, continua em crise. O leitor encontrará na obra uma análise do material de campanha que circulou ainda antes de 2018 e que até agora não foi bem-avaliado. O texto alterna momentos de assombro, outros de indignação, sem perder em nenhum momento a coerência e a necessidade (que ele parece entender como uma obrigação) de achar sentido para o sucesso daquele que foi, nas palavras de Lísias, “o pior candidato da história eleitoral brasileira”.
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