Uma vida discreta
Âyiné publica biografia da polonesa Wislawa Szymborska, ganhadora do Prêmio Nobel de 1996
“Fazer confidências publicamente é uma perda da própria alma. É preciso guardar algo para si mesmo”, disse Wisława Szymborska. Escrutar a vida de quem tanto detestava expor-se publicamente e fez da discrição uma marca pode parecer uma intromissão indevida, mas Anna Bikont e Joanna Szczęsna — duas das maiores expoentes do jornalismo cultural polonês — conseguem, em Quinquilharias e recordações (Âyiné, 554 pp, R$ 109,90 – Trad.: Eneida Favre), contornar esse obstáculo. A biografia, cujo título foi retirado do poema Escrevendo o currículo, é fruto de profunda pesquisa e longas conversas com a própria Szymborska e com aqueles que com ela conviveram. A obra retoma seu ambiente familiar, suas leituras, as brincadeiras e os medos da infância, sua vida no ambiente literário de Cracóvia, a adesão juvenil ao ideário comunista e sua rápida desilusão, o distanciamento e posterior simpatia pelo Solidarność nos anos 1980 e o divisor de águas que foi o Nobel, recebido em 1996 aos 73 anos. A edição traz ainda um caderno de imagens com fotos da poeta e cartões-postais que costumava mandar para amigos, além de uma cronologia completa de sua vida.
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