O agente secreto esquecido
Livro de Raphael Alberti conta a história do jornalista José Nogueira, que denunciou falcatruas envolvendo organizações anticomunistas e políticas nos anos 1960
Intriga política, espionagem, anticomunismo, manipulação, morte. Em Um espião silenciado (Cepe Editora, 140 pp, e-book R$ 9), Raphael Alberti mergulha em extensa e bem documentada pesquisa sobre o nascedouro da ditadura brasileira, de onde resgata a história do jornalista José Nogueira, redator-chefe do jornal Tribuna de Notícias, do Rio de Janeiro, órgão da Cruzada Brasileira Anticomunista, e que atuava como agente do Serviço Secreto da Marinha. Apesar da sua inegável posição ideológica, Nogueira passou a denunciar falcatruas e manipulação da verdade envolvendo organizações anticomunistas e os destinos políticos do Brasil, no início dos anos 1960, podendo ter atuado como agente duplo. Um desses órgãos era o Ibad, que financiava ações anticomunistas e a eleição de políticos de direita, visando minar a trajetória de João Goulart. Após ameaçar divulgar documentos relacionados ao Ibad, Nogueira foi atirado do terceiro andar do prédio onde morava, caindo a uma grande distância e apresentando ferimentos incompatíveis com o laudo de morte por queda acidental. Tinha apenas 29 anos. Foi ao pesquisar sobre a CPI do Ibad-Ipes, criada em 1963 para apurar suas ilegalidades, que Raphael Alberti encontrou uma discreta referência ao espião esquecido pela história.
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