As marcas de Armando Freitas Filho
‘Arremate’ marca os 80 anos um dos principais poetas brasileiros em atividade
Armando Freitas Filho chega aos 80 anos com um livro que lida, diretamente, com o momento presente. Os poemas visitam temas conhecidos a seus leitores — como a casa, o Rio de Janeiro, sua paixão por Carlos Drummond de Andrade e Van Gogh —, mas também respondem ao noticiário, em versos afiados sobre política, violência e brutalidade policial. As marcas do tempo estão entranhadas nos poemas de Arremate (Companhia das Letras, 312 pp, R$ 89,90), que refletem sobre a maturidade. O ofício da escrita surge como um dos eixos centrais do livro. O poema Trifásico joga luz sobre os bastidores do poeta: ele primeiro escreve à mão, depois passa para a máquina e, por fim, o poema surge, já limpo, na tela do computador. Em Caderno, Armando Freitas Filho sintetiza, com maestria, sua poética: “A memória é feita do papel fino que separa uma página da outra”.
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