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A nova estética da vigilância

09 de agosto de 2021
2 min de leitura

Em 'Políticas da imagem', Beiguelman discute o estatuto da imagem no mundo contemporâneo e o surgimento de um regime de vigilância

Imagem digital, selfies, memes, deep fake, internet das coisas, inteligência artificial, censura digital: todas essas novidades do mundo contemporâneo são analisadas por Giselle Beiguelman para descrever (e ao mesmo guiar o leitor a reconhecer no mundo a sua volta) o papel da imagem nas relações sociais hoje. A autora propõe em Políticas da imagem (Ubu, 224 pp, R$ 59,90), ao longo de seis ensaios inéditos, uma reflexão sobre o estatuto da imagem no mundo contemporâneo. Desde o surgimento da fotografia, e depois do cinema, que o universo das imagens técnicas não conhecia um processo de transformação tão radical quanto o do nosso tempo. As imagens tornaram-se as principais interfaces de mediação do cotidiano, ocupando a comunicação, as relações afetivas, a infraestrutura, as estéticas da vigilância e os sistemas de escaneamento dos corpos na cidade. Ao falar em políticas da imagem, ela defende que as imagens são, para além de lugar da transmissão de ideias e linguagens, o próprio campo das tensões e disputas políticas da atualidade. Beiguelman associa a invenção e a distribuição massiva de smartphones a um novo regime de vigilância, não mais instituído pelo Estado, mas resultado da captação sistemática de dados pessoais, oferecidos deliberadamente pelos usuários às plataformas de mídias sociais – a dadosfera.

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Talita Facchini

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