Com a venda de livros suspensa, Editora da Imprensa Oficial de SP faz pausa pra repensar seu futuro
Depois de incorporada pela empresa de processamentos de dados de SP, Imesp se desfaz de seu parque gráfico e promete uma editora ‘inserida no universo digital’
Em agosto, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp) foi oficialmente incorporada pela Prodesp, estatal de processamento de dados do governo paulista.
A justificativa para a incorporação é que, de acordo com estimativas do governo, a Imesp passaria a operar no vermelho a partir de 2022 por conta da Lei Federal 13.818/2019, que desobriga a publicação de balanços no Diário Oficial, a maior fonte de receita da empresa.
E isso agora impacta o braço editorial da Imesp, que, nas palavras da própria empresa passa por “reformulação editorial e de formato”. A proposta é que a editora seja “inserida no universo digital”, sem detalhar o que isso realmente possa significar. A estatal nega que seja o fim da editora e sim um processo de modernização e que, em breve anunciará o plano para seu futuro.
Já há relatos de demissões nos quadros que faziam parte da editora e o site da Livraria da Imprensa Oficial informa que não faz mais venda de livros.
Ao PublishNews, representante da Prodesp informou que a suspensão da loja é apenas uma questão contábil relacionada ao processo de incorporação e que será, em breve, reestabelecida.
Mesmo atuando como editora desde a sua fundação, em 1891, foi só em 2003 que se adequou o seu objeto social que previa a atuação como gráfica e passou a ser legalmente uma editora. A mudança foi feita na gestão de Hubert Alquéres, que presidiu a empresa até 2011. Nesse período, a editora da Imesp viveu seus tempos áureos: lançou cerca de 600 livros, ganhou mais de duas dezenas de Jabutis (incluindo Resmungos, de Ferreira Gullar, Livro do ano de 2007) e criou coleções como Aplauso, Paulista, Uspiana e Gilberto Freyre.
Em 2019, sob o comando de Nourival Pantano Jr., a Imesp prometeu retomar a produção de livros. A inauguração dessa nova fase foi com o primeiro tomo da série Escritor por escritor – Machado de Assis por seus pares (408 pp, R$ 80), que mostra faces do Bruxo do Cosme Velho reveladas por outros escritores como Rui Barbosa, Mário de Andrade, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Euclides da Cunha e Olavo Bilac.
Na época, Cecília Scharlach, que segue como a responsável pelos projetos editoriais da casa, disse ao PN que a ideia era “voltar com a essência da Editora da Imprensa Oficial”. Nourival completou: “Queremos levar ao público o melhor da literatura paulista, livros que alcancem nichos específicos e mais difíceis de se alcançar. É uma obrigação do poder público garantir isso”. Durou pouco.
Além disso, a Imprensa Oficial construiu um parque gráfico de respeito, tornando-se referência na impressão de livros, mesmo atendendo exclusivamente o poder público (municipal, estadual e federal) e instituições de interesse público, como fundações e organizações não-governamentais (ONGs). A mudança na vocação da gráfica se deu por conta da extinção, em julho de 2007, da versão impressa do Diário Oficial. Isso também poderá ser desmanchado. A Prodesp estuda leiloar seus equipamentos usados na confecção de livros. Em junho, o UOL noticiou uma demissão em massa que afetou, segundo o portal, 154 funcionários.
Confira a íntegra da nota enviada à redação do PN:
Com a incorporação entre a Prodesp e a Imprensa Oficial, prevista na Lei Estadual 17.056 e oficializada em agosto de 2021, a Editora passa por reformulação editorial e de formato. Por meio da expertise da Prodesp em tecnologia, a Editora será inserida no universo digital. A venda de maquinário utilizado para impressão de livros físicos está em estudo e, se houver, o processo será transparente para a população e contará com publicação no Diário Oficial.
A incorporação inédita entre duas empresas públicas do Governo de São Paulo teve como objetivo a melhoria dos serviços prestados e a otimização de recursos públicos. Sem isso, a Imprensa Oficial enfrentaria prejuízo a partir de 2022, principalmente após Lei federal 13.818/2019, que desobriga a publicação de balanços no Diário Oficial, a maior fonte de receita da empresa.
** Nota atualizada em 24/09/2021, às 13h40, com mudança no título a inclusão de informações adicionais trazidas pela Prodesp depois da publicação da matéria.
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