No universo da loucura
'Sereias do hospício' contém poemas que atravessam a rotina do autor e sua mãe com transtornos psicológicos, e atenta para a luta antimanicomial
O livro Sereias do hospício (Batel, 150 pp, R$ 54), o terceiro de Rafael Julião, aborda poeticamente a questão da loucura, em suas variadas manifestações. O lirismo do livro está completamente atravessado pela questão da loucura, por sua vez, relacionada à convivência e ao cuidado do autor com sua própria mãe, que era diagnosticada com transtorno bipolar. Assim, o universo da loucura e dos hospitais psiquiátricos, mas também as memórias afetivas e as complexidades do tema, aparecem como reelaboração de uma experiência muito pessoal, mas também muito fértil de identificações com a vida coletiva. Os poemas estão divididos em blocos temáticos ao longo do livro – “ambulância”, “portões”, “pátio” e “janelas” – e convidam o leitor a uma jornada de cumplicidade em um trabalho que, além do domínio técnico da linguagem e do frescor poético, toca na questão da luta antimanicomial como poucos poetas o fizeram até o momento.
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