A grande aventura dos judeus do Recife
Em 'Caminhos cruzados', Paulo Carneiro conta em estilo jornalístico a jornada dos judeus expulsos da Espanha no século 15, que seguiriam para Portugal Holanda, Recife e, por fim, Nova York
Em estilo jornalístico, Caminhos cruzados: a vitoriosa saga dos judeus do Recife, de Paulo Carneiro, descreve a trajetória dos judeus expulsos da Espanha em 1492 pelos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela. O autor contextualiza o momento histórico, com destaque para a rica contribuição judaica às ciências e às artes espanholas, bem como a pressão sofrida pelos monarcas para unificar o país sob o catolicismo.
Carneiro mostra em seguida as dificuldades enfrentadas em Portugal, onde D. João II despacha crianças judias para a Ilha de São Tomé, à revelia dos pais, enquanto Dom Manuel I decreta a conversão forçada ao catolicismo, criando os chamados cristãos-novos. A fuga para Amsterdã representou um oásis de tolerância, do qual os judeus partiram com os holandeses para a invasão de Pernambuco em 1630.
Entre quedas e avanços, Carneiro realça a permanente resiliência de um povo que se manteve unido nas adversidades. Expulsos do Recife, em 1654, 23 refugiados desembarcaram na vila de Nova Amsterdã, hoje Nova York, e fundaram a primeira congregação Judaica dos EUA. O autor recupera o discurso do presidente Barack Obama, em 2012, destacando a importância desses brasileiros: “Eles encontraram aqui uma tradição de liberdade que os uniria para sempre sua história da América”.
A narrativa é épica, a despeito da crueldade da Inquisição. Em vez de visitar as masmorras, o autor realça o papel de heroínas judias, como dona Gracia Nasi, a banqueira que arriscou a fortuna para salvar sua gente, a lendária Branca Dias, de Pernambuco, e Emma Lazarus, autora do poema que ilustra o pedestal da Estátua da Liberdade. Em 2018, Caminhos Cruzados inspirou o enredo da Escola de Samba Portela, no Rio, conduzido por Rosa Magalhães.
Para o jornalista Reinado Azevedo, autor do prefácio, “Paulo Carneiro escreveu um pequeno grande livro. A narrativa é rigorosa, didática e ágil”. Lançado em abril de 2015 na 2ª Feira do Livro Judaico em português, em São Paulo, o livro foi aclamado pelo livreiro Jairo Fridlin e o Rabino David Weitman, organizador do evento. Agora em terceira edição, traz um capítulo sobre a lei que concede cidadania portuguesa aos descendentes dos judeus banidos por dom Manuel.
Caminhos Cruzados (216 pp, R$ 39,90 impresso, R$ 12,90 digital) está nas seguintes livrarias:
Sêfer: Alameda Barros, 735, Higienópolis – São Paulo / SP
Imperatriz: Rua Padre Carapuceiro, 777, loja 249 – Boa Viagem – Recife / PE
Jaqueira: Rua Madre de Deus, s/n, Recife – Recife / PE
Travessa: Rua Voluntários da Pátria, 97, Botafogo – Rio de Janeiro / RJ
E na Amazon, Estante Virtual e demais lojas online. E no Museu da Inquisição (Rua Cândido Naves, 55 – Ouro Preto / MG)
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