Apanhadão: Livro recolhe histórias de 35 anos de Rock in Rio
Folha fala do volume escrito pelo jornalista Luiz Felipe Carneiro. Globo entrevista Pilar del Río, viúva de José Saramago. Valor faz resenhas de Margaret Atwood e Claude Lévi-Strauss
Numa semana de muito Rock in Rio na imprensa, a Folha trouxe matéria com uma historinha divertida. Depois de um show no Rock in Rio de 2011, debaixo de chuva e finalizado de madrugada, os integrantes e os técnicos do Guns ’N Roses deixam a Cidade do Rock, voltando ao hotel. O vocalista Axl Rose [foto], que tinha pedido uma farta macarronada no camarim, é esquecido pelo resto da turma. Ele chama então funcionários do festival que estavam por perto, como faxineiros, seguranças, camareiras e equipe de apoio, e compartilha a massa com todos. A história é uma das curiosidades que se espalham pelas quase 500 páginas de Rock in Rio – A história: bastidores, segredos, shows e loucuras que marcaram o maior festival do mundo, do jornalista Luiz Felipe Carneiro, publicado pela Globo livros.
O Globo entrevistou a espanhola Pilar del Río, viúva do português José Saramago (1922-2010). Ela veio ao Brasil lançar um livro sobre o período em que o casal viveu em Lanzarote, uma das Ilhas Canárias. Em A intuição da ilha: os dias de José Saramago em Lanzarote (Companhia das Letras), a narrativa de Pilar fala do cotidiano no local, dos livros que Saramago escreveu ali e das visitas de amigos ilustres, como o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, o cineasta italiano Bernardo Bertolucci e María Kodama, viúva do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986).
O Globo trouxe também resenha do livro O dia de um oprítchnik (Editora 34), do russo Vladímir Sorókin. O romance faz crítica mordaz aos rumos da pátria de Vladimir Putin e serve como um alerta contra a escalada autoritária que se desenha neste século. A história se passa em 2027, em uma Rússia despótica cujo modelo político se inspira no reinando do tzar Ivan, o Terrível, no século 16, com a volta ao antigo regime o governo reestrutura a Oprítchnina, a ferina milícia imperial responsável pelas execuções mais sórdidas e violentas. O autor é um crítico incansável de Putin, e seus trabalhos recebem ataques têm sido alvos de ataques de apoiadores do líder russo.
O Estadão informou que cartas manuscritas de um dos autores mais famosos do Reino Unido, Charles Dickens (1812-1870) serão exibidas ao público pela primeira vez, dando uma nova visão da vida e da mente do escritor vitoriano. Onze cartas foram adquiridos pelo Charles Dickens Museum, junto a um vendedor particular nos EUA país que Dickens visitou duas vezes em turnês de literatura pública. Uma das cartas é um convite para jantar, que ele escreve com um dramático floreio dickensiano: “Diga ‘não’, eu jamais perdoarei. Diga ‘sim’, junte-se a nós na próxima quinta-feira e para sempre serei fielmente seu”.
O Valor trouxe resenha de dois livros de peso. Um deles é Colchão de pedra: nove contos perversos (Rocco), coletânea na qual Margaret Atwood coloca seu foco em gêneros literários que por muito tempo foram desvalorizados pela crítica. São histórias de terror, fantasia e crime que, em décadas recentes, vêm conquistando espaço como elementos constitutivos da cultura contemporânea. A autora articula tradições, como as monstruosidades do gótico no terror Lusus Naturae, e também manipula engrenagens de uma história de crime perfeito, como no conto que batiza o livro.
O outro título resenhado é Somos todos canibais (Editora 34), do antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Estão reunidos 16 artigos que o autor de Tristes trópicos escreveu para o jornal italiano La Republica entre 1989 e 2000, além do texto O suplício do Papai Noel, de 1952, em que analisa a então recente polêmica introdução do personagem na cultura francesa. Ao escrever sobre assuntos do dia a dia. Lévi-Strauss não apenas dava demonstrações dos anos dedicados à etnografia e pesquisas sobre povos primitivos, inclusive os indígenas no Brasil, mas uma visão etnocêntrica que tenta descartar o poder dos mitos.
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