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O manifesto de uma poeta indígena americana

27 de outubro de 2022
1 min de leitura

Livro de Natalie Diaz, vencedora do Prêmio Pulitzer de poesia de 2021, fala de corpos das mulheres latinas e indígenas como corpos políticos

Poema de amor pós-colonial (Círculo de Poemas, 160 pp, R$ 54,90), vencedor do prêmio Pulitzer de poesia em 2021, é o segundo livro de Natalie Diaz, poeta mojave norte-americana. Em sua paisagem lírica, os corpos das mulheres latinas e indígenas são corpos políticos e, ao mesmo tempo, corpos em êxtase. Os versos de Diaz desafiam as condições a partir das quais se escreve, num país cuja fundação rasurou e rasura corpos como o dela e das pessoas que ela ama. Segundo Julie Dorrico, poeta do povo Makuxi e pesquisadora de poesia indígena, “Natalie Diaz traz a esta pele de papel (expressão de Davi Kopenawa para se referir aos ‘livros’) uma cosmovisão indígena comum aos povos originários quando afirma ser areia, água, cobra. Como cobra, ela diz: ‘Quando uma cobra engole sua presa, uma fileira de dentes internos ajuda a passar a mandíbula pelo corpo da presa passando como lendo. Passando sobre uma palavra com os dentes em nossa mente. Escrever é ser devorada. Ler, estar cheia’. Em seus versos, preciso confessar, sinto-me como devorada.”

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Beatriz Sardinha

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