Notícias d’Além Mar: Números do mercado do livro em Portugal em 2022
Os dados trazidos por Jaime Mendes mostram que em 2022, o mercado livreiro português cresceu 16,20% em valor e 12,80% em volume
Em Portugal quem audita o mercado do livro é a GFK, contratada pela APEL- Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que acabou de divulgar os resultados.
Segundo a nota, “o painel GFK audita as vendas ao consumidor final de uma amostra representativa do mercado português, composta maioritariamente por retalhistas da grande distribuição (especializados e não especializados). A cobertura estimada é de aproximadamente 85% do mercado.”
Retalhistas da grande distribuição são o varejo em grandes superfícies. Especializado, refere-se às redes de livrarias: Bertrand, Fnac, Almedina. O não especializado são os supermercados: Continente, Intermarché e Pingo Doce, principalmente.
O ano de 2022 tem os seguintes números:
Faturamento de 175 milhões de euros resultantes da venda de quase 13 milhões de exemplares (12.725.898 exs). Assim, na comparação com 2021, o crescimento em valor foi de 16,20% e, em exemplares, crescimento de 12,80%. O preço médio foi de 13,75 € com crescimento de 3%. Os custos de produção, principalmente papel, também aumentaram por aqui. Na venda anual entraram 12.894 novos ISBN.
Pelo Censo de 2021 a população residente em Portugal era de 10.343.066 habitantes. Na divisão dos exemplares por essa população o valor seria de 1,23 exs por habitante.
Na distribuição por categoria temos o seguinte quadro:

A distribuição por canais tem um dado importante na comparação com o Brasil.
Livrarias representam 78,60% do valor e 69,30% dos exemplares. Onde está a outra parte, significativa, para os 100%?
Nos supermercados que representam 21,40% do valor e 30,70% dos exemplares. Pelo menos a mim, chama muita atenção que quase 1/3 dos exemplares sejam comprados nestes espaços. Como são esses espaços, quantos são e que tipo de livro é vendido lá?
As grandes cadeias de supermercados são o Pingo Doce com 475 lojas, Continente com 346 e Intermarché com 260. Existe ainda a rede Note! com 85 lojas, que também pertence ao Continente (grupo Sonae). Estas lojas da Note! vendem basicamente artigos de papelaria e livros.
Quanto ao tipo de livro que entra nestes espaços, são os lançamentos com potencial de best-seller e livros que podem ter descontos ao consumidor final elevadíssimos de 30% a 50%, pelo menos, principalmente autoajuda, negócios, infantil, juvenil e literatura de alto giro. Aqui é importante lembrar que a Lei do preço fixo só permite 10% de desconto nos primeiros 24 meses da publicação do livro. Para os livros importados a contagem do tempo de 24 meses não é a partir da publicação no país de origem e, sim, a partir da data da primeira vez que determinado título entrou em Portugal. Assim, os descontos elevados só acontecem nos livros com mais de 24 meses de existência no mercado.
Além dos descontos elevados a serem concedidos, o custo operacional também é grande, seja pela entrega loja a loja, seja pela entrega centralizada, onde serão cobradas taxas de distribuição e armazenagem. Conversando com um editor, a informação é que são cerca de oito rubricas a serem negociadas, isto é, onde há algum valor a ser pago pelo fornecedor. Depois existe ainda o custo da devolução e as perdas por livros danificados, que são absorvidos pelo fornecedor. Isso, sem falar na quantidade de livros a serem enviados para esses 1.166 pontos, onde não há a garantia de quantos serão devolvidos. Logo, parece que é um canal de venda para quem é grande no mercado.
Seguem algumas fotos destes espaços.

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