Uma autobiografia epistolar
Em 'Águas de estuário', Velia Vidal revela suas múltiplas facetas em meio às cartas enviadas a um amigo
Em Águas de estuário (Jandaíra, 152 pp, R$ 62 – Trad.: Lizandra Magon de Almeida), a escritora afro-colombiana Velia Vidal apresenta um livro autobiográfico epistolar, no qual, através de cartas endereçadas a um amigo não nomeado, revela suas múltiplas faces de mulher, livre e ampla, com inquietudes e dores, alegrias e sexualidade, mas distante da hipersexualização, comumente atribuída às mulheres negras. Para além de expressar seus sentimentos, emoções e conflitos, a autora também conta como fundou o Motete, projeto que leva livros infantis e histórias a crianças do Chocó, estado mais negro da Colômbia. As cartas revelam a sensibilidade poética da autora e, na mesma medida em que é possível conhecer mais de sua perspectiva subjetiva como mulher negra, suas percepções sociais mostram as desigualdades presentes na Colômbia. O livro é resultado da parceria do Selo Sueli Carneiro, coordenado por Djamila Ribeiro. “A estreia de Velia Vidal é um marco na trajetória da parceria entre Editora Jandaíra e Feminismos Plurais, abrindo caminhos para uma ponte diaspórica entre Brasil e Colômbia, cujo intercâmbio proporcionará à leitora e ao leitor uma oportunidade incrível de enriquecimento intelectual”, conta Djamila Ribeiro no texto de apresentação da obra.
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