Sob o signo do trauma
Uma obra em que as cores mais sombrias da vida familiar ganham contornos de tragédia bíblica
O filho do homem (Todavia, 208 pp, R$ 79,90 – Trad.: Julia da Rosa Simões), de Jean-Baptiste Del Amo, é uma história dolorosa e profundamente humana, que explora a transmissão da violência de geração em geração e a eterna tragédia que se desenrola entre pais e filhos. Tudo isso sob o signo do trauma, da busca pela identidade e do poder de uma natureza tão exuberante quanto inescrutável. Na obra, um homem retorna após anos de ausência e leva a esposa e o filho de apenas nove anos para o ventre escuro de uma montanha, em uma casa sombria onde um dia vivera com seu pai enlouquecido. Naquela casa de venezianas raquíticas e telhado de ardósia coberto por lona preta, no instante em que a mulher fornece sinais da nova vida que brotou em sua ausência, o homem não poderá, de fato, escapar de seu destino: reproduzir, de forma incessante, a violência do pai que marcou a sua infância. Com este romance repleto de tensão, Del Amo se afirma como um dos autores mais brilhantes da literatura francesa contemporânea.
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