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O romance intimista de Jamaica Kincaid

18 de dezembro de 2023
2 min de leitura

Publicado em 1985, 'Annie John' narra a vida da protagonista e aborda temas como relações familiares, autodescoberta e identidade

Filha única, Annie John vive uma infância feliz e repleta de brincadeiras em uma casa construída pelo pai, com jantares em família, patos e galinhas d’angola no quintal. A mãe, uma presença poderosa, é o centro da existência da menina, e as duas são inseparáveis neste pequeno paraíso. Tudo muda radicalmente quando Annie completa 12 anos e passa a questionar os pressupostos culturais de seu mundo, contestar os papéis sociais e confrontar a autoridade. Mas o maior choque vem na relação com a mãe. Antes harmoniosa e cheia de cumplicidade, a convivência das duas é tomada por estranhamentos, pequenos conflitos e ressentimentos. Ainda que ambas queiram retomar a dinâmica pacífica de antes, uma nova ordem, desconhecida e incômoda, se instaura entre elas. Escrita pouco depois do Caribe se tornar independente do Reino Unido, a Annie John (Alfaguara, 136 pp, R$ 69,90 – Trad.: Carolina Candido) lança um olhar aguçado e perspicaz sobre temáticas turbulentas — tanto na esfera social, ao expor a relação opressora entre colonizadores e colonizados, quanto nos aspectos mais particulares de seus personagens, como o amadurecimento e o vínculo entre mãe e filha. Em uma prosa imersiva, que muitas vezes soa atemporal, Jamaica Kincaid mergulha fundo nos pensamentos, angústias e anseios da protagonista, evocando memórias de relações familiares e de Antígua — onde nasceu e viveu até os 17 anos — para construir uma narrativa intimista e poderosa.

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Talita Facchini

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