Variadas faces do luto
A obra trata do processo de luto, considerando sua pluralidade e revelando que existem muitos tipos de dor quando as perdas são significativas
O que pode haver em comum entre a médica Margareth Dalcolmo, o cantor Gilberto Gil e o deputado Chico Alencar? Eles compartilham seus entendimentos sobre as perdas e a singeleza de suas experiências, ressaltando o aprendizado inerente ao processo. Margareth descreve o que vivenciou na pandemia de Covid-19, pessoal e profissionalmente. Gil conta sobre a perda do filho Pedro, situação contraditória na ordem natural da vida. Por sua vez, Chico Alencar discorre sobre a sensação que tantos brasileiros experimentaram diante de uma ameaça política. Para dar visibilidade a outros tipos de enlutados, as psicólogas Márcia Noleto e Mariana Magalhães organizaram o livro Lutos (Summus, 200 pp, R$ 78,40), com narrativas de 16 personalidades simbólicas, além dos relatos delas mesmas. O prefácio é da professora Maria Helena Pereira Franco, especialista no assunto. A obra trata, com delicadeza, do processo de luto, considerando sua pluralidade e revelando que existem muitos tipos de dor quando as perdas são significativas. Muito embora tenhamos a sensação de estar imersos em nossa solidão particular, o livro nos mostra o contrário. Há um universo de pessoas que tentam diariamente encontrar novos caminhos para recomeçar a vida após momentos de perda. Nesse sentido, as organizadoras trazem depoimentos de vários lutos diferentes. O materno, o neonatal pelo olhar do homem, o anunciado, o político. O luto por infertilidade, por desaparecimento, pela perda de um animal. O luto trágico, amoroso, da pessoa trans, da família, do imigrante, de Deus, de um futuro, de um país. O luto por violência, pela covid-19, por suicídio. Dando voz a essas experiências singulares, podemos nos conectar com elas e, assim, encontrar maneiras de elaborar nosso sofrimento.
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