Entre diferentes rumos e pensamentos desafiadores
'Puro' é o novo – e incômodo – romance da vencedora do Oceanos e finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura, Nara Vidal
Na década de 1930, Santa Graça, em Minas Gerais, poderia ser um vilarejo idílico, “referência de virtude e limpeza no território nacional” — e é nisso que alguns de seus habitantes estão tentando transformá-la. O casarão onde vivem Lázaro, menino de seus 15 anos, e as três velhas que o adotaram quando bebê abandonado é o epicentro desta narrativa que toma rumos cada vez mais surpreendentes. Ali e na casa do lado, trabalha Íris, vinda da parte mais pobre da cidade, o Mata Cavalo, de onde também vêm as crianças que andam pela rua pedindo comida e procurando brincadeiras. No romance Puro (Todavia, 96 pp, R$ 59,90), Nara Vidal explora, com a maturidade de quem está acostumada a tecer histórias em diversos gêneros, temas duros, sem ter medo de colocar no papel as ações e os pensamentos mais desafiadores de seus personagens. Se, em algum momento, acreditamos ter adivinhado o rumo que a história está tomando, rapidamente a autora nos apresenta mais elementos e descortina um universo que gostaríamos de acreditar que tem poucos paralelos com acontecimentos atuais.
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