Reflexões para o debate contemporâneo
Em 'História potencial', publicado pela Ubu, a autora Ariella Aïsha Azoulay discute a importância de se pensar a história como sintoma da violência imperial
Para a autora Ariella Aïsha Azoulay, o passado ainda está por vir. Fazer história potencial significa recusar a busca irrefreável pelo novo e afirmar um compromisso com os mundos destroçados pelo domínio imperial – dos povos originários nas Américas ao povo Bantu subjugado por Leopoldo ii do Congo, do povo palestino desterrado aos migrantes mexicanos nos EUA. Trata-se de levar o passado a sério, não como uma relíquia a ser trancada num arquivo, exposta nas vitrines de um museu ou dissecada por especialistas em uma biblioteca, e sim como uma proposta política sobre como podemos viver uns com os outros. Esta edição da obra História potencial (Ubu, 272 pp, R$ 69,90 – Trad.: Célia Euvaldo), que consiste numa seleção de capítulos do original em inglês, focaliza a tese da autora sobre essa outra maneira de fazer história, que, segundo ela, não é uma “nova” maneira, apenas a recuperação e a consideração rigorosa de um conjunto de estratégias empregadas há centenas de anos por povos hoje silenciados.
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