Uma família desintegrada
Claudia Piñeiro subverte a estrutura tradicional do gênero, apresentando uma narrativa construída de forma coletiva através das vozes de sete personagens
Uma adolescente é encontrada queimada e desmembrada em um campo. Trinta anos depois, o crime ainda não está esclarecido e sua família e seus arredores se desintegraram. A investigação foi encerrada sem suspeitos e sua família – educada, formal, católica e de classe média – se desfez silenciosamente. Mas tudo muda quando o pai é diagnosticado com um câncer terminal e não quer ir embora sem saber quem foi o responsável pela morte da filha. Com isso, a verdade aparece. Essa verdade mostrará de forma crua o que se esconde por trás das aparências; a crueldade à qual a obediência e o fanatismo religioso podem levar; a cumplicidade dos medrosos e indiferentes, e também a solidão e o desamparo daqueles que ousam seguir seu próprio caminho, ignorando os mandatos herdados. Seguindo seu estilo, em Catedrais (Primavera Editorial, 504 pp, R$ 59,90), Claudia Piñeiro investiga os laços familiares, os preconceitos sociais e as ideologias e instituições que marcam os mundos privados. Explorando as complexidades das relações humanas e as diversas formas de violência que permeiam a história, a autora também subverte a estrutura tradicional do gênero, apresentando uma narrativa construída de forma coletiva através das vozes de sete personagens.
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