‘Lampião’, a estreia de Rachel de Queiroz na dramaturgia, volta às livrarias
O projeto especial, publicado pela José Olympio, rememora a primeira edição de 1953
Rachel de Queiroz já era romancista consagrada quando decidiu se aventurar na dramaturgia. Diante do desafio, a história de vida de Virgulino Ferreira da Silva, o bandido que liderou o bando de cangaceiros mais famoso do sertão nordestino, foi escrita com a carga dramática e a nervura social pelas quais a autora ansiava. Lampião se tornou uma figura única no imaginário popular. Seus trajes, típicos de vaqueiros e jagunços dos anos 1920, a pose imponente e desafiadora nas fotos, e até seus óculos de aro fino constituíam sua persona mítica. Revirando essas referências mais imediatas, Rachel de Queiroz construiu seu Lampião (José Olympio, 154 pp, R$ 54,90) destemido e, por vezes, frágil. Seu protagonista desafia o interventor de Pernambuco a lhe ceder o governo do sertão, mas também fica ressabiado com os perigos que o circundam, o que leva Virgulino a recorrer à proteção espiritual de seu Padrinho Padre Cícero, figura religiosa de grande prestígio no Nordeste. Na peça de Rachel de Queiroz, também se destacam Corisco, bandido talentoso e fiel a Lampião, e Maria Bonita (apresentada inicialmente como Maria Déa), que abandona o marido e os filhos para ser esposa do Rei do Cangaço, acompanhando-o até nos confrontos a bala. Em 1954, Lampião estreou nos palcos. Este volume especial reproduz o projeto gráfico da primeira edição de Lampião, lançada em 1953 pela Livraria José Olympio Editora. Na capa, Lampião e Maria Bonita são ilustrados por Tomás Santa Rosa, icônico artista gráfico responsável pelos projetos editados por José Olympio nos anos 1950.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta