O fim da infância
Livro de Carla Guerson aborda a complexidade das relações familiares ao contar a história de Catarina, uma menina de 14 anos que teve uma infância marcada pela solidão
Todo mundo tem mãe, Catarina (Reformatório, 184 pp, R$ 54), novo livro da autora capixaba Carla Guerson, aborda o processo de amadurecimento de uma personagem marcada pela solidão infantil de quem cresceu sem ter mãe e pai. Sob a perspectiva de uma menina de 14 anos criada pela avó, sexualidade, prostituição, religião e morte se mesclam a uma história familiar complexa e cheia de segredos que a personagem precisa desvendar para crescer. Esse silêncio que a protagonista se vê obrigada a confrontar esconde um passado formado por mulheres afetadas pelo machismo e pela hipocrisia. É na busca por sua origem que Catarina começa a traçar um caminho só seu. “Catarina precisa descobrir a sua história para poder contá-la”, resume Marcela Dantés, que assina a orelha da obra. Na história, Catarina mora com a avó, que é servente em um condomínio de classe média no interior do Espírito Santo. Enquanto Catarina se aproxima de uma comunidade de prostitutas, onde desenvolve amizade com a sobrinha de uma delas, a avó Amélia se aproxima de uma comunidade evangélica, tornando quase que díspares os caminhos percorridos.
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