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Voltar EVENTOS LITERáRIOS

Bioficção recria vida de socióloga a partir de cartas trocadas nos anos 1950

08 de maio de 2026
2 min de leitura
Catarina Setubal de Rezende e documentos © Luiza Baraúna
Catarina Setubal de Rezende e documentos © Luiza Baraúna

Romance da Máquina de Livros incorpora recursos de inteligência artificial para recriar a voz da mãe da autora, Catarina Setubal de Rezende, morta aos 45 anos

Mais de 140 cartas trocadas entre os pais nos anos 1950 serviram de ponto de partida para Beatriz – Uma existência de mulher (Máquina de Livros), romance de bioficção em que a escritora Catarina Setubal de Rezende recria a trajetória da mãe, morta precocemente aos 45 anos, quando a autora estava com apenas 17 anos. Entre São Paulo, Copacabana e Niterói, a narrativa acompanha os desejos, conflitos e escolhas de uma jovem dividida entre a fé, o amor e a vontade de viver com mais liberdade em um Brasil marcado por transformações políticas e sociais.

O lançamento será realizado nesta sexta-feira (8), às 19h, na Livraria da Travessa (Rua Doutor Tavares de Macedo, 240 — Niterói / RJ). A obra combina memória familiar, documentos históricos e ficção, além de incorporar um experimento com inteligência artificial usado pela autora para recriar a voz de Beatriz mais de cinco décadas após o seu desaparecimento precoce.

Formada em letras pelo Sedes Sapientiae e estudante de sociologia na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, Beatriz integrou a Juventude Universitária Católica (JUC), mas sonhava em conhecer um país mais amplo do que os limites impostos pela família e pelos costumes da época. O romance acompanha sua aproximação com Antônio Rezende, professor de filosofia mineiro radicado no Rio de Janeiro, e transforma a correspondência amorosa do casal em eixo narrativo da obra.

Ao longo de 148 páginas, Catarina mistura memória familiar, pesquisa histórica e ficção para refletir também sobre desigualdade, violência de gênero e racismo estrutural. “Beatriz hoje olharia para o Brasil e veria a continuidade de seus antigos dilemas”, escreve a autora na orelha do livro.

A segunda parte da narrativa coloca o foco na própria Catarina, que relembra o impacto da morte da mãe sobre a família e as responsabilidades assumidas ainda jovem diante dos irmãos menores. Um dos fios emocionais do livro está nas cartas que a autora passou a escrever para a mãe enquanto amadurecia, além da descoberta de uma última correspondência deixada por Beatriz pouco antes de partir.

Mestre em literatura brasileira pela PUC-Rio, Catarina Setubal de Rezende tem trajetória ligada à poesia, à crítica literária e às memórias familiares. Entre seus livros publicados estão As pedras e as fitas, Artefatos, Outsiders e Cartas da Mamãe.

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Monica Ramalho

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