O artesanato narrativo de Geni Núñez
Em novo livro, a pensadora reúne os textos – revistos e atualizados – de maior êxito compartilhados nas redes sociais e outros escritos inéditos
Não há um único jeito de ser ou estar no mundo, nem uma maneira certa ou errada de se relacionar. Na verdade, a beleza mora nas concomitâncias. O artesanato narrativo que a ativista indígena Guarani, psicóloga e escritora Geni Núñez constrói em Felizes por enquanto (Planeta, 160 pp, R$ 51,90) mostra que, para além do que foi forçosamente ensinado durante tantos séculos de colonização, existem, sim, outros mundos possíveis, nos quais as coisas não são pensadas a partir de binarismos, imposições ou restrições. A graça, afinal, está em também achar belo o que não é espelho. Seus escritos, também eles inclassificáveis, tiram o utilitarismo das palavras e traçam um percurso em que a vida acontece ao passo em que é vivida, sem seguir uma linha reta, num tempo e memória sempre em movimento. Neste livro, a pensadora reúne os textos – revistos e atualizados – de maior êxito compartilhados nas redes sociais e outros escritos inéditos, incluindo dois poemas traduzidos para o Guarani. A obra, com ilustrações do artista plástico indígena Aislan Pankararu, reflete sobre a pluralidade de mundos possíveis.
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