Movimentos inconscientes
No romance de Ana Margarida de Carvalho, dois homens com propósitos diferentes se encontram em uma estrada e avançam pela narrativa em uma tentativa de se proteger
Dois homens se encontram numa estrada do Alentejo, em Portugal, perto da fronteira com a Espanha, de onde ecoa a guerra civil. Dirigem-se para um destino comum, mas cada qual com o seu fardo: um, carrega o peso da vingança; o outro, uma carga de azeitonas. Entre dois entardeceres, a narrativa de O gesto que fazemos para proteger a cabeça (Dublinense, 312 pp, R$ 66,50) avança, sinuosa e inexorável, como uma trilha de formigas num terreno acidentado, uma atrás da outra. E nesse magistral enfileiramento de enredos e personagens, a única constante é o inconsciente gesto para proteger a cabeça — seja da fúria do vento ou da violência humana. Escrito por Ana Margarida de Carvalho, uma das mais aclamadas autoras da literatura portuguesa contemporânea, O gesto que fazemos para proteger a cabeça foi finalista do Prêmio Oceanos 2020. Em outubro, Ana Margarida será uma das atrações da programação oficial da Flip.
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