Amoreira como fio condutor
Jornada da planta vai do século XVIII e atravessa o bairro do Bom Retiro
A amoreira (Labrador, 192 pp, R$ 59,90) não é nativa do Brasil, mas se deu muito bem por aqui. China, Polônia e Áustria estão no caminho da amoreira, planta esplendorosa que forneceu o fio condutor para os contos deste livro. A obra de Mirna Pinsky começa no século XVIII com Tereza fugindo para o quilombo de Quariterê; atravessa o Bom Retiro paulistano do início do século XX, quando dona Raquel cria sozinha cinco filhos; e, em 1930, cruza o oceano até Viena, de onde uma família judia precisa escapar às pressas do avanço nazista; e chega aos dias atuais, com os “caminhantes” — aqueles que, na velhice, descobrem novos sentidos para a vida. Os galhos, carregados de recordações, emprestam emoções e sombras aos personagens das histórias. De cada recomeço forçado, alguém leva consigo um galho da amoreira. Porque há raízes que não se deixam para trás.
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