Cesar Garcia Lima estreia no conto com livro ambientado no centro de São Paulo
Deslocamentos aparecem como eixo das narrativas, seja em personagens marcados pela inadequação, seja na revisitação de figuras literárias e mitológicas transportadas para o presente
O escritor, jornalista e pesquisador acreano Cesar Garcia Lima lança o seu primeiro livro de contos, Se você não tem paz interior então você vem aqui pra capital (7Letras) em evento gratuito previsto para o próximo domingo, 24 de maio, das 15h às 18h, na Livraria Martins Fontes Paulista (Av. Paulista, 509 — São Paulo / SP).
A coletânea reúne doze narrativas que transitam entre o conto tradicional, o poema em prosa, a fábula e a alegoria, atravessando cenários urbanos, referências literárias e elementos da mitologia. O livro nasceu a partir de uma anotação encontrada pelo autor em uma cédula de cruzeiro nos anos 1990, quando morava no centro de São Paulo. A frase escrita no dinheiro acabou dando origem ao conto ‘Escrito no dinheiro’, que abre o volume e empresta seu título à obra.
“Logo comecei a imaginar uma história de vampiros, que se tornou o conto ‘Escrito no dinheiro’, que tanto lida com a questão de troca de identidade quanto da inquietação política no final da ditadura”, afirma Cesar, no material de divulgação.
O conto acompanha um personagem que circula pela região da Ladeira da Memória, Viaduto do Chá e Vale do Anhangabaú. Ao longo do livro, os deslocamentos continuam aparecendo como eixo das narrativas, seja em personagens marcados pela inadequação, seja na revisitação de figuras literárias e mitológicas transportadas para o presente.
“A inadequação dos personagens, as narrativas que refletem sua busca do outro e de si mesmos expressam meu olhar sobre o outro e sobre o mundo, assim também como minha própria trajetória pessoal, ainda que não me identifique jamais com a autoficção”, diz o autor, no release.
Radicado no Rio de Janeiro, Cesar é autor dos livros de poesia Águas desnecessárias (Nankin Editorial, 1997; republicado pela e-galáxia em 2019), Este livro não é um objeto (independente, 2006), Trópico de papel (7Letras, 2019) e Bastante aos gritos (7Letras, 2021), além do volume de crônicas Vida desencaixada (Patuá, 2024). Doutor em Literatura Comparada pela Uerj, também dirigiu o curta metragem Soldados da borracha (2011), documentário sobre os seringueiros recrutados na Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial.
Na orelha do livro, o poeta e tradutor Ruy Proença define a obra como um “caleidoscópio de cenas urbanas”. Entre os contos da coletânea estão narrativas inspiradas em Anton Tchékhov, diálogos com Clarice Lispector e reaparições da personagem Macabéa em pleno universo dos realities shows.
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