A ausência de uma presença múltipla
O poeta e artista de sete instrumentos cujo nome vinha sempre associado a rótulos como “marginal” e “contracultura” se despediu da vida como secretário de Estado. E não há qualquer ironia ou contradição nisso. Waly Salomão não entendia poesia, música, ação cultural, mídia, governos como coisas estanques que se relacionam aqui e ali. Para este filho de pai sírio e mãe baiana que se tornou um desbragado carioca, culturas, fatos, palavras e pessoas poderiam interagir das mais variadas formas, contanto que houvesse na tal interação fortes doses de desejo, criação e exuberância. As “algaravias” – título de um livro seu – que Waly não se cansava de produzir foram interrompidas nesta segunda-feira (5/5), aos 59 anos do poeta, por um câncer. Seu velório na Biblioteca Nacional reuniu Caetano Veloso, Cacá Diegues, Gal Costa, Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Jards Macalé, Antonio Cicero e muitos outros que tinham por ele a única coisa que era possível (mesmo que, às vezes, pudesse ser em forma de raiva): paixão.
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