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Abertura poética

01 de agosto de 2003
2 min de leitura
flip

O conhecido e contumaz coro dos descontentes cochichou nas ruas e até publicou em jornais que a 1ª Festa Literária Internacional de Paraty agradou apenas a convidados vips em sua noite de abertura, mas não foi o que realmente se ouviu no meio do público que compareceu à Praça da Matriz. A homenagem a Vinicius de Moraes que deu o pontapé inicial no evento literário foi pontuado por calorosas palmas e bastante emoção, no palco e na platéia. No palco, um ministro Gilberto Gil visivelmente emocionado dançou logo que chegou ao palco e saudou, em sua primeira visita à cidade colonial, o evento literário e Vinicius, encerrando a noite cantando “Formosa”, samba do poeta com Baden. Antes dele, um Chico Buarque nervoso leu poemas do parceiro e compadre, e cantou as músicas “Medo de amar” e “Sem você”. Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi a leitura do poema de Vinicius “Pátria minha” por Antonio Cicero. Ele antecedeu a entrada no palco de Adriana Calcanhotto, que interpretou “Eu sei que vou te amar”, “Ela é carioca” e “O poeta aprendiz”. A mestre-de-cerimônias desta parte, por assim dizer, artística da noite foi Susana de Moraes, que leu três poemas do pai: “Poema do corifeu”, “Poética 1” e “Soneto da intimidade”, este lido em inglês na tradução de Elisabeth Bishop. O outro mestre-de-cerimônias foi o inglês Paul Heritage, diretor teatral que trabalha com presos e menores infratores no Brasil e que foi um dos grandes entusiastas da Flip. Paul, além de introduzir e traduzir com muita correção e empolgação os discursos iniciais, emocionou o público ao lembrar Carlos Calchi, seu companheiro assassinado há apenas duas semanas na Avenida Brasil, no Estado do Rio, por causa de um problema de trânsito.

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