A eternidade dos latino-americanos
Num ano particularmente rico em lançamentos de antologias, acaba de sair Contos latino-americanos eternos (Bom Texto, 304 pp., R$ 55), que faz parte de uma série que a Bom Texto vem oferecendo ao público, dos quais já entregou Contos russos eternos e Contos franceses eternos. Organizado pela professora Alicia Ramal, de língua e literatura espanhola e hispano-americana da PUC-RJ, o livro levará o leitor mais jovem a tomar contato pela primeira vez com algumas obras-primas produzidas por escritores deste continente tão díspar em suas singularidades e tão próximo em seu trágico destino político e social. E o leitor mais velho – que eventualmente conheça muitas das histórias aqui reunidas – poderá repensar panoramicamente o cenário do século XX latino-americano. Escolher os nomes (e as histórias) que vão compor uma antologia é uma tarefa angustiante e arriscada – sempre haverá omissões involuntárias, escolhas discutíveis. Alicia Ramal constrói a sua com 22 autores, três deles brasileiros (Machado de Assis, Mário de Andrade e Rubem Fonseca) – e aqui já cabe uma observação, a de elogiar a inclusão de escritores brasileiros numa antologia latino-americana, fato óbvio, dirão alguns, já que o somos, embora cada vez mais uma certa elite intelectual queira fingir-se européia ou norte-americana.
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