Livro revela passado de touradas no Rio de Janeiro
Prática de entretenimento controversa, as touradas cariocas foram palco de disputas culturais e políticas, questionando ideias de progresso, civilização e identidade nacional
A prática das touradas no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, é um capítulo pouco explorado da história do país. Sol e sombra: as touradas no Rio de Janeiro (Editora Unesp, 288 pp, R$ 62) revela essa tradição inusitada e seus desdobramentos no contexto social e cultural da cidade, que foi a capital do Brasil por quase dois séculos. Os pesquisadores Victor Andrade de Melo e Paulo Donadio conduzem uma análise minuciosa das touradas cariocas, preenchendo uma lacuna historiográfica e desmistificando a ideia de que a prática não despertou interesse na sociedade fluminense. O livro aponta ainda os gostos, sensibilidades e inclinações culturais da população da época, destacando um aspecto pouco conhecido de sua vida cotidiana. Desde o século XVIII, a cidade assistiu à realização de mais de 450 espetáculos tauromáquicos, e a popularidade da prática alcançou seu auge na República, antes de ser proibida em 1908. Entre os principais debates apresentados no livro, está a polêmica sobre a natureza da prática: entretenimento ou barbárie? As discussões sobre o futuro das touradas no Rio de Janeiro também são destacadas, especialmente no contexto da extinção da prática, que enfrentou forte resistência, mas acabou sendo efetivada no início do século XX.
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