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Um experimento clínico se transforma em obsessão, crise e colapso

23 de setembro de 2025
2 min de leitura

Dividido em pequenos capítulos, 'Ornamento' ​é uma jornada pelo vórtice capitalista na América Latina. Com teor ensaístico, este breve romance atravessa questões filosóficas e feridas sociais

Um cientista acredita ter criado a primeira droga recreativa verdadeiramente “feminista e igualitária”: tem efeito apenas em mulheres e está em vias de ser comercializada a baixo custo. Enquanto realiza os testes, ele se envolve com a voluntária número 4 e decide integrá-la à sua vida com a esposa, artista visual celebrada no circuito internacional. A partir desse triângulo instável, se desenha uma narrativa sobre desejo, desigualdade e ruína. O efeito da droga, uma espécie de êxtase descrito pela voluntária número 4 como “um ronronar elétrico que surge na virilha e se distribui em deliciosos fluxos pelos braços, as pernas e o pescoço”, se mostra viciante e logo se torna um problema social que culmina em violência assim que chega ao mercado. Dividido em pequenos capítulos, Ornamento (DBA, 152 pp, R$ 72,90 – Trad.: Marina Waquil) é uma jornada pelo vórtice capitalista na América Latina. Com teor ensaístico, este breve romance atravessa questões filosóficas e feridas sociais, revelando os pontos cegos de seu protagonista, sem oferecer conclusões apaziguadoras. Entre os efeitos da droga na teoria e na prática, o envolvimento com a transgressora número 4 e as fraturas no elitista mercado da arte, as bases do personagem, calcadas em privilégio, começam a desmoronar.

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Beatriz Sardinha

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