O livro e a COP30: engajamento e compromissos para um futuro sustentável
Livro exerce função essencial no debate ambiental para além das negociações de chefes de Estado
Em novembro de 2025, Belém do Pará será palco da COP30, a Conferência da ONU sobre o Clima, tema que eu já comentei neste espaço, mas que acredito que seja interessante voltar sob o olhar do engajamento setorial. Pela primeira vez, o encontro acontece na Amazônia — um território que simboliza tanto os desafios quanto as soluções para a crise climática. Problemas logísticos à parte, a expectativa é que governos, empresas, organizações sociais e movimentos da juventude estejam presentes, trazendo compromissos concretos para limitar o aquecimento global e proteger a biodiversidade.
Mas onde entra o setor editorial nessa história? Nossas possibilidades são múltiplas. O livro tem uma função essencial nesse debate: engajar a sociedade, dar voz a diferentes perspectivas e propor compromissos que vão além das negociações entre chefes de Estado.
O setor editorial sempre cumpriu um papel de mediação entre conhecimento e sociedade. A ciência só se transforma em cultura quando circula em linguagem acessível, quando chega às salas de aula, às livrarias, às bibliotecas comunitárias. A COP-30 é uma oportunidade de renovar essa missão: o livro tem – e muito — potencial para ser o elo entre a complexidade da agenda climática e a vida cotidiana das pessoas.
Isso pode vir, por exemplo, de obras que traduzam a linguagem científica para públicos diversos, ou daquelas que sensibilizam e ajudam a formar a consciência para as pautas da sustentabilidade. Mas chega também ao dar espaço a narrativas locais. Povos indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas guardam saberes fundamentais para a preservação da Amazônia. Incorporar essas vozes em catálogos editoriais, coleções e projetos de leitura é uma forma de reconhecer que a sustentabilidade também é cultural e social, não apenas ambiental.
Além disso, programas de leitura, clubes do livro, feiras literárias e até edições digitais podem ser usados como veículos para aproximar cidadãos do debate que vai ocupar o mundo em Belém.
Algumas propostas possíveis passam por ampliar o uso de papel certificado (FSC, PEFC) e redução de plásticos; minimizar o desperdício, melhorar a eficiência energética e a logística. E, ainda, publicar dados de sustentabilidade do setor, alinhados a padrões internacionais (GRI, SBTi, ISSB). Por último, a aposta em obras e projetos que ajudem a sociedade a entender e agir diante da crise climática.
Iniciativas internacionais já apontam caminhos. Na IPA, a Associação Internacional de Editores, a iniciativa Publishing 2030 Accelerator traz um grande painel de compartilhamento de práticas e busca pela neutralidade climática. No Brasil, algumas casas editoriais têm iniciativas pontuais, mas ainda falta um esforço coordenado e setorial. A COP30 pode ser o momento de dar esse passo coletivo.
Um chamado à ação
Belém 2025 será lembrada não apenas pelos acordos diplomáticos, mas também pela capacidade de setores diversos se mobilizarem em torno de uma agenda comum. O livro não é neutro nesse processo. Ele pode ser a voz que traduz ciência em cultura, que transforma dados em histórias, que inspira compromissos em ações reais.
A COP30 será um espaço de pactos. Setores inteiros da economia chegarão a Belém com metas claras. Por que o editorial deveria ficar de fora? Proponho pensar em um “manifesto editorial da sustentabilidade”, com compromissos que unam editoras, gráficas, livrarias e fundações.
Se a Amazônia é o coração do planeta, cabe ao setor editorial ser uma de suas vozes. A COP30 é a chance de provar que o livro não é apenas um produto cultural, mas uma ferramenta estratégica para o engajamento social e para a construção de compromissos duradouros.
Que o setor editorial chegue a Belém com coragem de assumir seu papel. E que, no futuro, possamos olhar para trás e dizer: o livro também ajudou a escrever o capítulo mais importante da sustentabilidade no Brasil e no mundo.
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