A complexidade dos relacionamentos
No livro publicado pela Estação Liberdade, uma gata põe em xeque o relacionamento de um casal
Em A gata, um homem e duas mulheres (Estação Liberdade, 192 pp, R$ 42), o japonês Jun’ichiro Tanizaki eleva à quinta potência o nível de complexidade nos relacionamentos afetivos entre seus personagens. A novela põe a gata Lily no centro da trama protagonizada por Shozo, sua esposa Fukuko e ainda pela ex-mulher do primeiro seu primeiro casamento, Shinako. Shozo adora mimar a gata de todas as formas possíveis, o que deixa Fukuko enciumada — fato que já havia se dado também com a ex-esposa. Ciente da possibilidade de que isso volte a se repetir no novo relacionamento do ex-marido, Shinako planta a discórdia ao sugerir à rival Fukuko que se livre da bichana. É a gata Lily, portanto, que, à primeira vista, se insinua como ponto de desequilíbrio na normalidade dos personagens; no entanto, Tanizaki parece recorrer à gata como metáfora para a falência dos relacionamentos humanos. A intimidade que Shozo dispensa à Lily, como lhe dar de comer diretamente na boca, está longe de se repetir com a mulher. A própria troca de Shinako por Fukuko guarda uma série de interesses que evidenciam Shozo como uma figura patética e manipulável. A segunda novela que compõe a presente edição, O cortador de juncos propõe uma espécie de homenagem ao teatro nô ao estruturar uma “história dentro da história”.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
